Muita gente já sabe que os agrotóxicos não fazem nenhum bem à saúde, e que é sim possível cultivar sem o uso deles. Os alimentos orgânicos são recomendações de qualquer bom médico ou nutricionista. Acontece que, a agricultura orgânica pode combater males que vão além da saúde. Como, por exemplo, acabar com a fome mundial e melhorar a condição do meio ambiente para futuras gerações.

Alimentos orgânicos x agrotóxicos

A ideia de que os agrotóxicos são essenciais para alimentar a população mundial, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é um mito. Esse ideal surgiu lá na década de 1960 junto com os pesticidas. O discurso era a modernização do campo, incentivando os agricultores a adotar a monocultura e o uso de sementes modificadas.

O relatório da ONU é bem crítico e claro com as corporações globais que fabricam pesticidas, acusando-as de “negação sistemática de danos”, “táticas de marketing agressivas e antiéticas”. Afirma também que os agrotóxicos têm “impactos catastróficos no ambiente, na saúde humana e na sociedade como um todo”, incluindo cerca de 200 mil mortes por ano de envenenamento agudo”.

Além disso, a exposição crônica aos agrotóxicos está em pesquisas que apontam o surgimento de doenças como o câncer, Alzheimer, Parkison, distúrbios hormonais, distúrbios de desenvolvimento, esterilidade e até autismo.

Alimentos orgânicos podem matar a fome no mundo

Uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Washington afirma que a produção de alimentos orgânicos pode matar a fome no mundo. John Reganold, professor de ciência do solo e agroecologia e doutorado Jonathan Wachter foram os primeiros a analisar 40 anos de ciência comparando agricultura orgânica e convencional à luz de quatro métricas-chave de sustentabilidade: produtividade, impacto ambiental, viabilidade econômica e bem-estar social.

O estudo chamado, “Agricultura orgânica no século 21” aponta que a agricultura orgânica é mais rentável, ambientalmente amigável e igualmente ou mais nutritivos por conter menos (ou nenhum) resíduos de pesticidas, em comparação com a agricultura convencional.

Meio ambiente preservado com a agricultura orgânica

Segundo eles, em geral, as fazendas orgânicas armazenam mais carbono no solo, o que melhora a qualidade e reduz a erosão dele. A prática da agricultura orgânica também cria menos poluição do solo e da água, e causa menores emissões de gases de efeito estufa em comparação à (mono)agricultura convencional.

O Brasil possui mais de 400 tipos de agrotóxicos

Além disso, a agricultura orgânica é mais eficiente em termos de energia, porque não depende de fertilizantes sintéticos ou pesticidas. E também está associada a uma maior biodiversidade de plantas, animais, insetos e micróbios, bem como a diversidade genética. A biodiversidade aumenta os serviços que a natureza oferece como a polinização e melhora a capacidade dos sistemas de cultivo para se adaptarem às mudanças das condições.

Você pode começar a plantar seus alimentos orgânicos em casa. Saiba como fazer uma horta em casa através dessa nosso artigo, que explica o passo-a-passo.

Agrotóxicos no Brasil

O Brasil possui mais de 400 tipos de agrotóxicos registrados. A produção e comercialização dos agrovenenos está concentrada com seis grandes empresas internacionais: Monsanto, Syngenta, Bayer, Dupont, Dow e Basf. Essas empresas controlam 80% do mercado de pesticidas e também a comercialização de sementes, gerando assim um ciclo vicioso de consumo.

Fontes: Nature  Phys  The Guardian  Ciclo Vivo  MPA Contra Agrotóxicos