Tomar a decisão de abandonar o emprego, a casa, e se afastar de amigos e familiares, largar tudo para viajar não é fácil. No meu caso, nada aconteceu de uma hora para outra, foram quase dois anos de amadurecimento da ideia.

Eu posso dizer que desde a minha adolescência sonho em viajar. Lembro que falava para minhas amigas que assim que eu tivesse um carro iria para a Patagônia, e elas iriam junto. Meu objetivo era fazer um intercâmbio logo depois da faculdade, mas como estava namorando na época, acabei desistindo. Não me arrependo, mas às vezes me pergunto quem eu seria hoje se tivesse partido.

A ideia de viajar com uma mochila nas costas, sem um destino, apenas deixando a vida me levar surgiu durante o meu relacionamento. E antes de tomar essa decisão junto com o meu antigo parceiro, fizemos muitas coisas para ter certeza que era isso mesmo que queríamos.

Novos Hippies

Veja uma lista de 10 para fazer antes de decidir largar tudo para viajar o mundo:

Nos permitimos se divertir

Ainda estávamos naquele ritmo de trabalho de dia e estudos à noite. Não sobrava tempo para nada, e quando sobrava nos sentíamos culpados de estarmos fazendo algo que não fosse uma dessas duas coisas. O primeiro passo foi nos permitir se divertir, e o mais importante: sem sentir culpa.

Quando se está preocupado com algo, você não consegue relaxar. Tentávamos tirar um ou dois dias para nós. Esquecer o celular, esquecer o computador, o trabalho e qualquer coisa que estivesse relacionada aos estudos ou ao terrível TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Afinal, você se preocupa cinco dias por semana, mais de oito horas por dia com tudo isso, o que são dois dias relaxando?

Conhecer novos lugares foi o mais importante. Como morávamos perto do litoral, opções não faltavam. A primeira vez que passamos um fim de semana longe dos lugares convencionais foi na praia de Garopaba, em Santa Catarina. Acampamos um dia lá, e foi mágico. Fomos no sábado e voltamos no domingo. Sem celulares, sem trabalho, sem estudos, apenas nós dois e a beleza do lugar.

Vale da Utopia (SC) – ©Novos Hippies

Novas experiências: acampamento no Vale da Utopia

Nas férias, esquecemos o mundo do trabalho. E depois de aproveitarmos sete dias conhecendo diversas praias, resolvemos nos permitir a passar um Reveillon acampados no Vale da Utopia. O lugar é mágico, não conta com nenhuma estrutura, fica longe da cidade, tem montanhas, fonte de água doce, campos e a imensidão do mar. Ficamos cinco dias a primeira vez que fomos para lá, e nos sentimos transformados.

Além da magia do lugar, as pessoas completam a utopia de viver no Vale. Sem pré-conceitos, sem brigas, sem julgamentos. Cada um é o que é, com muita música, fogueira, e vibe positiva. Tudo acaba se tornando coletivo de uma forma espontânea, e quando você percebe conhece pessoas que parecem ser seus amigos de infância.

Retornamos renovamos. Com certeza foi a virada de ano mais mágica e o ponto de partida para percebermos que esse tipo de contato com a natureza e pessoas é o que queríamos para nossas vidas.

©Novos Hippies

Pesquisamos sobre pessoas que viajaram o mundo

Pesquisávamos diversos casos de pessoas que saíram de seus empregos para viajar. E muitas notícias chegavam até nós sem nem mesmo fazermos esforços. Virou quase uma tendência em 2015.

A cada artigo com relatos, fotos e aquelas pessoas dizendo que estavam mais felizes do que nunca. Todas diziam que era possível, e nos sentíamos ainda mais motivamos a fazer o mesmo.

Ouvimos relatos de quem largou tudo e começou do zero

Voltamos várias vezes ao Vale de Utopia, e lá se encontra todo tipo de gente linda. Principalmente pessoas do mundo. Conversar com essas pessoas nos deixava ainda mais firmes na nossa decisão.

Em outras viagens, quando tínhamos oportunidades conversávamos com hippies que vendem artesanato, malabares, e todos diziam: “Vocês não vão se arrepender”.

Iris e Joe – ©Novos Hippies

Buscamos formas de ganhar dinheiro sem um emprego fixo

“Ok, queremos largar tudo e viajar o mundo, mas como vamos sobreviver?” Fazendo esta pergunta, acabamos nos perguntando também porque trabalhávamos tanto e nunca sobrava dinheiro.

No que gastávamos nosso dinheiro? Em uma tabela conseguimos constar que 50% do nosso salário era para o nosso aluguel, 20% para gasolina (usada para trabalhar), 20% para alimentação e 10% para lazer (isso se não houvesse nenhuma emergência, tipo bater o carro). Mas, essas são realmente as nossas necessidades básicas? Não.

E o que precisamos para sobreviver? Alimento. E para ter conforto? Uma cama para dormir. Com isso, fizemos uma lista de diversas formas que poderíamos conquistar essas duas coisas, sem passar nenhuma necessidade.

A lista foi desde a construção do site, à trabalhos freelancers, produção de artesanato, música de rua (sim, somos músicos, ou tentamos) até trabalho voluntário. E durante a viagem descobrimos que vender hambúrguer vegano é uma boa! Está decido, vamos conhecer o mundo!

Pedimos demissão de nossos empregos

Eu trabalhava como jornalista em uma empresa grande, em ascensão. Felizmente consegui um acordo. Meus ex-chefes até nos elogiaram pela iniciativa, pela coragem, e nos desejaram boa sorte.
Coragem? Não, necessidade.

Bazar Desapego – ©Novos Hippies

Vendemos a maioria de nossas coisas

Depois de sairmos de nossos empregos tínhamos um compromisso: vender tudo o que tínhamos. Algumas coisas nós doamos, outras vendemos, e outras ficaram guardadas.

Uma ideia que nos ajudou muito a vender nossas roupas foi o Bazar Desapego. Em Criciúma há uma iniciativa muito legal que é o PikNik Coletivo, acontece quase todos os meses em uma praça da cidade. Além de encontrar os amigos para um pique-nique, no lugar tem uma “mini-feirinha”. Parceira de outros trabalhos com a idealizadora do projeto, conseguimos uma vaga para expor nossas roupas no evento, e vendemos quase tudo!

Partimos sem medo, pois o erro também traz aprendizado

Móveis, roupas, objetos e carro vendido, é hora de partir! O dia tão esperado chegou e nem acreditávamos. Decidimos começar de vagar, não temos pressa. Afinal, temos a vida toda para conhecer o mundo.

O primeiro lugar que ficamos foi em Criciúma mesmo. A ideia era ter experiência de troca: com o nosso trabalho, ganharíamos comida e uma cama para dormir. E ainda em terras conhecidas, tivemos experiências que nos trouxeram muito aprendizado.

©Novos Hippies

A cada novo lugar, uma perspectiva. E se der errado, já está dando certo. Por que o que me faz querer continuar nesse estilo de vida são os desafios que eu sei que vou enfrentar, e que eu sei que me farão mais forte.